domingo, 27 de abril de 2008


Dizem que se você andar pelo interior de uma floresta à noite, quando sair...
...alguma coisa em você terá mudado.
Sua passagem pela floresta sombria é marcada por incertezas.
Fantasmas imaginários existem como tremores imaginários em pequenos arbustos...sombras imponentes flutuando no perímetro.
Talvez você veja uma luz lá, ou talvez só pise numa poça e fique com o pé molhado. Apenas uma coisa é certa, se você tiver coragem de voltar do lugar mais sombrio de todos, você deve deixar seus medos para traz.
Deviam estar falando sobre algum outro idiota quando apareceram com essa maldita idéia maluca.
É bastante óbvio, eu e a mãe natureza somos tão íntimos quanto o papa e uma prostituta.
Além do mais, normalmente sou melhor me auto-encarando depois da vigésima dose de Gin...embora a dose em homenagem ao diabo tenha me derrubado de primeira.
Mas uma quedinha as vezes é saudável.
Não é a força da queda que te mata...é a parte dura e suja do final.
Se uma única pessoa pudesse explicar isso, talvez você pudesse parar antes de mergulhar.
Mas você não tem essa escolha. Seu primeiro pensamento de quando era um bebê é uma suspeita que você já está condenado.
Impotente, você grita parar desafiar os céus, ninguém escuta seu grito...
Você começa a cair mais rápido. Não há rede de segurança...você está voando sozinho.
Viva o dia de hoje, você pensa, o amanhã, nunca chegará.
Mas o amanhã sempre chega...como você sabia que aconteceria.
Agora, você só encontra conforto no esquecimento. Você cai através da sua nuvem de auto-piedade e desespero, se arrependendo de cada decisão que já tomou.
A vida passa rápido demais pra se ver, mergulhada num borrão de duvidas e desapontamento.
Você tem um vislumbre dos seus erros...
...e de algum triunfo ocasional.
Então, de repente, você está no final da queda. Você sabe o que fez de errado agora. Se você pudesse voltar no tempo.
Se tivesse mais uma chance, você pensa, enquanto o chão se aproxima de você.
Tendo dito isso, só há um jeito de fazer uma tentativa completamente sem sentido ficar alguma coisa de verdade...
É encontrar coragem pra acordar um dia, esfregar a poeira dos seus olhos e dar uma boa e severa olhada em si mesmo.
Lá estava eu, pronto pra desistir, quando uma coisa estranha aconteceu: um velho amigo meu surgiu no meio daquela tristeza.
Encontrei meu velho amigo dentro do espelho, zombando de mim me imitando...como um palhaço.
Eu estava ocupado demais chafurdando em minha auto-piedade, que quase não dei ouvidos mim mesmo. Nós tivemos alguns altos e baixos, sabia? Então, havia uma grande probabilidade de eu não dar ouvidos a mim mesmo, considerando o estado que eu estava.
Algo profundo e inominável do meu ser disse: “Lembre-se do sangue do demônio!” então, percebi...estive carregando um pedaço do inferno por ai o tempo todo, eu me acostumei com a dor.
Subitamente, eu tive essa inacreditável e insana idéia...peguei todos os pedaços de mim que estavam podres e os empurrei pra onde o sol não brilha.

6 comentários:

Samara Le Fay disse...

o bom da vida é poder se reciclaar..
não só arrastar o pó para debaixo do tapete, mas lança-lo ao vento
e incorporar novos elementos..
ar
aéreo
=*

israel disse...

se ascostumar com a dor quase sempre e a melhor opçao que se tem no meio de todas as coisas..

e lembre se: o inferno sao os outros..

otimo texto cara!!

falou!!

Iza. disse...

essa coisa de se encontrar e se perder, em becos ou florestas e esconder suas vinte partes debaixo do tapete é inútil.


porém inevitável.


se não curte a mãe natureza procure outro habitat Lobo mau.

Sara disse...

"Não meu modo de pensar que causou minha desgraça.Foi o modo de pensar dos outros"(Marquês de Sade).

Muito bom!!

Ellen Fernandes disse...

O pior lugar para se peder é dentro de vc msmo, nunca mais acha a saida!!!

A dor que se acomoda é a incerteza do caminho...é quase impossivel voltar

Mais o mundo é interessante e sempre acontecem coisas inexplicáveis...pode ser um caminho ou a perda dele...

Bjinhos Senhor Perdido...

Cada dia escrevendo melhor:D

Maldictus Otarius disse...

Cadê tú hein?
desaparecesse!
oO